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sábado, 18 de setembro de 2010

OS FILHOS DO MEDO

(THE BROOD)
Canadá - 1979
Dir.: David Cronenberg


Frank Carveth tenta levar uma vida normal cuidando da filha Candice, apesar da mulher Nola (Samantha Eggar) estar internada em uma clínica psiquiátrica passando por uma terapia experimental com o Dr Hal Reglan (Oliver Reed). Um dia, após visitar a mãe, a menina volta ferida para casa, e Frank suspeita da mulher, mas o psiquiatra lhe diz que ela nunca faria isso.
Então a mãe de Nola é assassinada, fato presenciado por Candice. Depois é a vez do pai dela, fato presenciado dessa vez por Frank, sendo que o assassino morre logo em seguida. É durante a autópsia desse que se revela um dos seres mais bizarros já criados pelo cinema (e que só aumenta em bizarrice quando revelada sua origem).
Mais um terror adulto de Cronenberg que usa tudo aquilo que o diretor sabe usar bem: duração curta; pouco blábláblá; bons efeitos; ciência, e nunca o sobrenatural explicando os fatos e a habitual cena nojentinha.
Tudo levado com seriedade, sem cair no sensacionalismo ou histeria típica dos filmes feitos para adolescentes.
O título nacional só erra na origem: os filhos não seriam do medo, mas do ódio.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

CALAFRIOS

(SHIVERS)
Canadá - 1975
Dir.: David Cronenberg


Zumbis tarados.
Cientista cria um parasita com o objetivo de potencializar o desejo sexual humano, e transformar o mundo em uma imensa orgia.
Para isso ele usa como cobaia sua namorada de 19 anos que, muito dada, logo espalha o nojento parasita pelos homens, e esses para suas mulheres, namoradas, etc, do fechado condomínio de luxo aonde todos moram.
A coisa se propaga na forma de uma doença venérea, causando em todos, independente de sexo ou idade, um furor sexual incontrolável.
Parece trash, e nas mãos de qualquer diretor um roteiro sobre (quase) zumbis com fogo no rabo provavelmente viraria uma comédia involuntária.
Cronenberg fez um filme sério, impossível de ser dissociado dos filmes de mortos vivos que já pululavam pelas telas da época - "A Noite Dos Mortos Vivos" é de 68; "O Exército Do Extermínio" de 73; além de outros que viriam depois.
A fome de carne humana aqui tem outro significado, mas em nenhum momento o filme descamba para a baixaria ou apelação desnecessária.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

ENRAIVECIDA NA FÚRIA DO SEXO

(RABID)
Canadá - 1977
Dir.: David Cronenberg


Rose sofre um acidente de moto com o namorado e, muito ferida, é levada às pressas para a clínica de cirurgia plástica de um tal Doutor Keloid (deve ser alguma ironia um cirurgião plástico com esse nome), que numa tentativa de salvá-la submete a moça a uma cirurgia experimental, aonde são realizados enxertos de pele no interior de seu corpo.
A cirurgia é aparentemente bem sucedida, até Rose acordar subitamente do coma e atacar o primeiro homem que lhe passa na frente, se alimentando de seu sangue. Depois de fazer mais uns lanchinhos na clínica ela foge, e passa a atacar quem lhe cruzar o caminho.
O problema é que os atacados contraem uma espécie de raiva, e saem atacando e contaminando toda a população, levando pânico a cidade de Montreal.
Terror sobre cientista louco, aqui involuntariamente, que nas mãos de qualquer outro descambaria pro rídiculo, mas que as mãos de Cronenberg fazem um filme adulto e de final um tanto incomum.
Absurdo é o nome ridículo que deram pra um filme em que o sexo nada tem a ver com a história.

terça-feira, 18 de maio de 2010

VIDEODROME - A SÍDROME DO VÍDEO

(VIDEODROME)
Canadá - 1983
Dir.: David Cronenberg


Máquina de fazer doido.
Max Renn (James Woods, ótimo como de hábito) é sócio de uma pequena emissora de TV a cabo especializada em sexo e violência, sempre em busca de novos programas para incrementar sua programação. Até o dia em que um empregado capta via satélite um sinal pirata de TV transmitindo um programa chamado Videodrome - basicamente uma sequência de torturas - que fascina Renn e o faz descobrir que aquilo é o que ele quer apresentar em rede nacional.
Ele aciona Masha, agenciadora de vídeos independentes, para que ela localize a produtora do tal programa, já sabido por eles ser em algum lugar dos EUA. Esta o alerta que o Videodrome é mais do que um programa de televisão, e Renn acaba descobrindo da pior forma que aquilo é algo capaz de dominá-lo como se fosse uma espécie de vício, gerando um tumor cerebral capaz de provocar alucinações e fuga da realidade.
Parece que Cronenberg previu BBB e outros programas do gênero anos atrás...
Aqui a TV é uma máquina de dominação e de fazer doidos mesmo. O tal programa é quase um organismo vivo, capaz de provocar dominação e alterações físicas em seus espectadores (dependentes?)
Cronenberg não evita cenas nojentas (numa era pré-CGI), e apresenta uma ótima aonde um homem se desfaz em cena.
Provavelmente um dos melhores filmes do diretor canadense, e uma das obras mais provocadoras e inquietantes do cinema.
Com Deborah "Debbie" Harry, da banda Blondie, interpretando uma sadomasoquista que se entrega com prazer às torturas do programa, numa cena bizarra aonde a TV parece ser punida pelo lixo que despeja em nossas casas.
Imperdível.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

CASSHERN - REENCARNADO DO INFERNO

(CASSHERN)
Japão - 2004
Dir.: Kazuaki Kiryia


Em meio a uma guerra entre duas nações denominadas "Eurásia" e "Federação do Leste", que já dura 50 anos, causou destruição do meio ambiente e a contaminação da população com inúmeras doenças, o Doutor Azuma trabalha em um projeto chamado "neo-células" que visa produzir "peças sobressalentes" para o corpo humano. O projeto é financiado por um empresário que busca prolongar sua vida, além do interesse do próprio Azuma em curar sua mulher, que está ficando cega.
Então, num momento à la monstro de Frankenstein, um estranho raio atinge o laboratório aonde são feitas as experiências com as tais células e essas se recombinam ganhando vida. O exército massacra os novos seres vivos, mas alguns fogem, alcançam uma fábrica, se auto-denominam "neo-sapiens" (ou neo-humanos, conforme a tradução) e declaram guerra aos seres humanos. Surge então um exército de robôs em uma sequência impressionante que mistura animação, computação gráfica e atores, disposto a exterminar a raça humana.
Enquanto isso, o Dr. Azuma decide trazer de volta à vida o filho, Tetsuya, morto na guerra, mergulhando-o na banheira das tais células. Esse volta a vida na forma de Casshern, uma espécie de deus esperado por um povo agora massacrado por 2 exércitos. A armadura que ele usa visa manter seu corpo unido, tal a intesidade de força que Tetsuya adquiriu graças as tais neo-células.
A partir de então Casshern se volta contra os neo-sapiens, pois estes levaram sua mãe e segue uma guerra total entre as 3 forças.
Impressionante e tresloucada ficção japonesa, aonde fotografia, cenografia, cenários e música contribuem para a manutenção de um clima surreal e absurdo, difícil de ser explicado. A sequência da transformação dos 4 esfarrapados neo-sapiens em líderes de um exército de robôs já vale o filme, que também passa uma mensagem de que ninguém é totalmente bom ou mau, e o segredo é aprender a coexistir, e que o amor vale mais que qualquer coisa.
O típico filme que ganha muito sendo visto em tela grande. A fotografia que usa diversos filtros, mas com visível valorização dos tons de vermelhos é outro destaque absoluto, além das sequências de luta totalmente irreais.
É baseado em um mangá e, segundo informações da internet, foram incluídas algumas alterações no roteiro, mas o básico foi mantido.