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domingo, 19 de março de 2023

PEIXE & GATO

(MAHI VA GORBEH)
Irã - 2013
Dir.: Shahram Mokri


Grupo de jovens se reúne em uma floresta para um festival de pipas.
Mas o local também sedia um restaurante que usa um tipo de carne bem específico em seus pratos.
Baseado em fatos reais, é filmado em plano único (tem mais de 2 horas) e ainda ousa por ir e vir no tempo.
Essas idas e vindas no tempo só são percebidas pelo espectador mais atento, e visam mostrar como cada personagem chegou aquela situação.
É lento, não é exatamente terror (isso fica muito subentendido) e exige certa paciência de quem se propõe a assistir.
Mas vale pela verdadeira aula de cinema pois é intrigante como o diretor conseguiu realizar um filme desses sem cortes aparentes e com perfeita marcação de cena com os atores.

domingo, 5 de janeiro de 2020

OS CAMPOS BRANCOS

(KESHTZAR HAYE SEPID)
Irã - 2009
Dir.: Mohammad Rasoulof


Drama iraniano passado num lugar fictício, de águas altamente salobras aonde as ilhas sequer tem vegetação.
Rahmat vaga por essas ilhas num barco recolhendo as lágrimas das pessoas - porque elas fornecem as lágrimas não sabemos, mas só no fim sabemos o destino do material.
Nesses lugares ele vai topar com estranhos rituais, talvez baseados em costumes da cultura local, ou simplesmente alguma fantasia da cabeça do diretor.
Tem o anão que tem que descer ao fundo de um poço com inúmeros vidros presos ao corpo - dentro destes estão segredos, angústias, desabafos do moradores locais - e deixá-los lá, numa espécie de ritual de purificação.
Tem a moça obrigada a casar com o mar para mediar uma trégua entre esse e o céu e assim chover, ou o coitado torturado porque pintou o mar de vermelho num quadro, e é motivo de incômodo para os locais.
E ainda o sujeito que mora numa ilha mínima, apenas com um cachorro - um prisioneiro deixado lá por um crime que não sabemos qual é.
Estranho, mas muito bonito em sua simplicidade e fotografia de um lugar de paisagens surreais. Destaque também para a música. 
A moral do filme? Nossas lágrimas apenas servem para alimentar a futilidade alheia.