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domingo, 19 de março de 2023

PEIXE & GATO

(MAHI VA GORBEH)
Irã - 2013
Dir.: Shahram Mokri


Grupo de jovens se reúne em uma floresta para um festival de pipas.
Mas o local também sedia um restaurante que usa um tipo de carne bem específico em seus pratos.
Baseado em fatos reais, é filmado em plano único (tem mais de 2 horas) e ainda ousa por ir e vir no tempo.
Essas idas e vindas no tempo só são percebidas pelo espectador mais atento, e visam mostrar como cada personagem chegou aquela situação.
É lento, não é exatamente terror (isso fica muito subentendido) e exige certa paciência de quem se propõe a assistir.
Mas vale pela verdadeira aula de cinema pois é intrigante como o diretor conseguiu realizar um filme desses sem cortes aparentes e com perfeita marcação de cena com os atores.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

UTOYA.22.JULI

(UTOYA.22.JULI)
Dir.: Erik Poppe
Noruega - 2018


Drama baseado no bárbaro massacre de 77 jovens, alguns adolescentes, outros, mal saídos da adolescência, que se encontravam acampados em uma ilha, em um congresso de um partido político.
O sujeito acreditava que a Noruega poderia ser um novo Brasil, caso continuasse permitindo a miscigenação racial.
Não é um filme de terror, mas o tensão e o desespero dos jovens, que por não saberem de onde vinham os tiros - os ecos dos disparos pareciam sugerir ser mais de um atirador - causam angústia, empatia e o questionamento de porquê alguém ser tão covarde a ponto de massacrar jovens inocentes, que se reuniam pacificamente e completamente indefesos.
Em termos cinematográficos, a de se destacar o filme ser um plano sequência, filmado com uma câmera, que acompanha um pequeno grupo de jovens no desespero da fuga.

domingo, 12 de julho de 2015

12 DIAS DE TERROR

(12 DAYS OF TERROR)
África Do Sul - 2005 (TV)
Dir.: Jack Sholder


É mais um drama do que um filme de terror sobre uma série de ataques de tubarão em Nova Jersey, em 1916, realizado para a tv sul africana.
É um filme simples, que segue a fórmula dos filmes do gênero, principalmente daquele mais famoso, de Spielberg, com o prefeito sendo negligente, a imprensa fazendo alarde, etc.
Por ser feito para a televisão, os efeitos são fraquinhos e quase nem se vê o tubarão, cuja espécie, na época, nunca foi descoberta: se branco, touro ou tigre.
Podia passar na sessão da tarde, pois a quantidade de sangue e gore em cena é baixa, e a idéia é mais se ater aos fatos do que ao horror dos ataques em si.
Como curiosidade, Sholder dirigiu alguns filmes famosos nos gêneros terror / sci-fi: "A Hora Do Pesadelo 2", "Hidden - O Escondido", e a bomba "Supernova", que Walter Hill e Francis Coppola não assinaram.

quarta-feira, 13 de março de 2013

TERRA DE VAN DIEMEN

(VAN DIEMEN'S LAND)
Austrália - 2009
Dir.: Jonathan auf der Heide


Van Diemen era o nome pelo qual era conhecida a ilha de Tasmânia, ao sul da Austrália, e para onde eram mandados, pela Inglaterra, os presos considerados irrecuperáveis ou reincidentes, e aonde eram submetidos a trabalho escravo.
O filme conta a história de Alexander Pearce e seu grupo - oito homens que fugiram durante o trabalho, em 1822, mas por um erro de planejamento foram obrigados a seguir em direção ao interior da ilha, na esperança de chegar aos povoados no outro lado. O problema é que o lugar é coberto por uma floresta densa, mas sem nada que pudesse alimentá-los, além de ser época de chuva, frio e até neve.
Quando os poucos mantimentos que carregam acaba, surge a única alternativa: abater um deles para servir de alimento, e assim é feito.
Logo outros vão sendo abatidos e o grupo segue em frente, sem chegar a lugar nenhum, sendo Pearce o único a sobreviver e ter sua história considerada como fantasiosa - ele foi acusado de inventar tudo para acobertar seus colegas. À propósito, a primeira morte é extremamente incômoda, com a vítima se debatendo em rápido frenesi. A terceira e a quarta também, essa pela brutalidade.
O filme é bom, embora longo, e o mérito do diretor é não focar apenas no canibalismo, mas sim a degradação física e mental dos prisioneiros, e a paranóia que se intala em determinado momento, pois todos sabem que um deles será o próximo a servir de almoço.
Heide concebeu um projeto de um curta, que foi elogiado, e então ele convocou o mesmo elenco para realizar um longa, e fez um filme bem legal, de música estranha e fotografia esmaecida, que parece aumentar a angústia que o filme transmite.

quarta-feira, 28 de março de 2012

CARGO 200

(GRUZ 200)
Rússia - 2007
Dir.: Aleksey Balabanov


Depois de se divertir em um clube, Angelika, filha de um figurão do Partido Comunista, sai com Valery, namorado de sua amiga, sendo que ela namora um soldado que está na guerra, no Afeganistão. Ele decide ir a uma casa afastada comprar bebida produzida ilegalmente, enche a cara e apaga.
Sozinha, Angelika acaba sequestrada por Zhurov, um capitão de polícia, sádico, violento e psicótico que a leva para casa, a trata como esposa e mantém algemada na cama, com a complacência da mãe dele, visivelmente desequilibrada.
O martírio dela não termina aí: depois de abusada sexualmente com uma garrafa pelo capitão é estuprada por outro homem, sob ordens do "marido" e obrigada a dividir a cama com o cadáver do noivo.
O título faz referência aos carregamentos que traziam os cadáveres dos soldados mortos na guerra do Afeganistão. O filme se passa em 1984, época em que começou a debandada soviética no país dos Talibãs e seria uma alegoria sobre a decadência do império soviético.
Foi muito elogiado nos festivais aonde foi exibido e impressiona por ser baseado em fatos reais. É uma mistura de violência, desrespeito aos direitos humanos, abuso de poder (o tal capitão mata e corrompe; o pai da desaparecida ameaça um oficial com limpeza de banheiros, caso ele não encontre sua filha em 24 horas), corrupção, indiferença e covardia.
O filme se passa em uma cidade industrial, cinzenta e decadente, que reflete o fim de uma era, e a fotografia, que valoriza tudo isso acaba sendo outro atrativo, pois fica a cargo de sua deprimente história.

domingo, 21 de agosto de 2011

PERIGO EM ALTO MAR

(THE REEF)
Austrália - 2010
Dir.: Andrew Traucki


Cinco amigos saem para passear de barco, mas esse naufraga depois de bater em uns recifes, e o grupo fica preso em cima do casco, numa área infestada de tubarões.
Sem rádio, as alternativas são esperar um improvável resgate ou arriscar nadar até uma ilha próxima, o que eles decidem fazer.
Como era de se esperar, são caçados por um tubarão que segue seu rastro.
Baseado em fatos reais, não inventa a roda. A direção é meio padrão mas consegue bons resultados, principalmente porque trata o tubarão como o que ele realmente é: um animal em busca de comida, e não um extra-classe como o de Spielberg, ou um bicho alterado geneticamente, como já se viu por aí. Sua presa também não tem alternativa a não ser tentar fugir, pois é impossível enfrentar o bicho.
O diretor também não perde muito tempo apresentando personagens, e retratar animais e seres humanos em histórias baseadas em fatos reais deve ser sua especialidade, já que antes desse aqui co-dirigira um filme com fatos semelhantes, no caso envolvendo crocodilos: "Black Water". A música meio minimalista também ajuda, pois não tira a atenção da ação.
Talvez demore um pouco a engrenar, mas é um bom passatempo.

domingo, 22 de agosto de 2010

O CICLO DO PAVOR

(OPERAZIONE PAURA) 
Itália - 1966
Dir.: Mario Bava


Médico viaja a um vilarejo perdido no meio do nada para autopsiar um corpo, e mesmo contra a vontade dos moradores resolve levar a autópsia adiante. Ele descobre que o mesmo carrega uma moeda junto do coração, posta ali afim de garantir que o morto tenha paz e então se vê em meio a uma atmosfera de medo, causada pelo suposto fantasma de uma menina morta, que levaria os habitantes do local ao suicídio.
Filme italiano que se parece com os da Hammer: século XIX, aldeões assustados e fantasmas do passado que habitam um casarão decadente.
Boa direção de Bava, bons cenários e boa atmosfera de tensão e medo, numa trama meio manjada de maldição ancestral.

domingo, 4 de julho de 2010

CONDESSA DE SANGUE

(BATHORY)
Eslováquia / República Tcheca / Inglaterra / Hungria - 2008
Dir.: Juraj Jakubisko


Erzsébet (ou Elizabeth) Báthory é uma controvertida figura da história húngara. Se casou aos 11 anos com o Conde Ferencz Nádasdy, um militar que ficava longos períodos fora de casa, envolvido em batalhas, principalmente contra os turcos.
Devido a essa ausência do marido, ela se tornou a responsável pela manutenção do castelo aonde vivia, e da necessidade de disciplinar um batalhão de empregados, mais as doenças que a assolaram na infância, teria surgido o sadismo que a tornou famosa. Segundo a lenda, ela teria matado 650 mulheres, todas registradas em seu diário, com sua letra, e comumente tomava banhos de sangue de virgens para manter a beleza, orientada por Darvulia, uma feiticeira que se torna sua guia espiritual.
Após a morte do marido ela, literalmente, precisa lutar para sobreviver e manter os bens da família, principalmente quando o Conde Thurzo, apaixonado por ela, ambiciona lhe tomar as terras que herdara.
É Thurzo que a denuncia e termina por provocar seu confinamento em um quarto de um de seus castelos, com apenas uma abertura para passagem de comida, aonde ele viveu 3 anos até a morte.
O filme toma partido de Erzsébet, que é mostrada como alguém capaz de punir seus empregados com violência sim, mas que nada mais é que alguém fruto de uma época, aonde empregados, escravos e presos de guerra eram menos que nada (a série The Tudors mostra um Rei Henrique VIII muito pior que Báthory, e nem por isso ganhou fama de vampiro, ou algo parecido). Seu julgamento, por exemplo, foi questionado visto não haver testemunhos de nobres, apenas da plebe, o que mostra a noção de justiça da época. Seus ataques de loucura, que incluem a morte de uma empregada mais parecem efeitos das drogas que Darvulia lhe prescrevia do que mera crueldade.
Segundo a Wikipédia, a condessa teve outra guia espiritual após a morte de Darvulia, mas o filme deixa de lado esse fato.
Não é um filme de terror, mas sim um drama muito bem produzido com boa fotografia, cenários (foram usados 13 castelos e 23 mansões nas filmagens) e cenografia. Tudo isso evidencia uma certa falta de carisma da protagonista Anna Friel.
De negativo, um encontro com o pintor Caravaggio, que a História ignora, além de um padre (com ares de professor pardal) e um noviço que desejavam denunciar a condessa, mas que sem qualquer explicação mudam de lado.
Mas é um filme bem legal, que a direção torna interessante e que flui bem, em seus mais de 120 minutos de duração.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

MACABRO

(MACABRO)
Itália - 1980
Dir.: Lamberto Bava


Após a morte do marido e do filho ocorridas no mesmo dia, Jane passa uma temporada em um hospício e quando sai ela deixa o marido e vai morar na casa de cômodos aonde se encontrava as escondidas com o morto, tornando-se objeto do cego que mora no lugar.
Ela tenta recuperar a sanidade, mesmo as voltas com um segredo macabro escondido no congelador da geladeira. O problema é que a filha foi a responsável pela morte do irmão, e é uma adolescente cruel e um verdadeiro projeto de psicopata, pronta para infernizar a vida da mãe.
Bava é filho de outro Bava, Mario, notório cineasta italiano, e foi assistente do pai em diversos filmes, além de ter assessorado outro italiano de fama no gênero: Dario Argento. Ou seja, não lhe faltaram professores.
Esse aqui é sua estréia nas telas grandes. Foge do gênero giallo, já que logo de cara se conhece a assassina, e o foco fica mais no psicológico, com um toque de necrofilia. É econômico no sangue, e ainda cede ao terror puro na última cena. Tem boa fotografia, que usa bem o vermelho, e é interessante com sua trama supostamente baseada em fatos reais.

sábado, 29 de maio de 2010

RÉQUIEM

(REQUIEM)
Alemanha - 2006
Dir.: Hans-Christian Schmid


Michaela (Sandra Hüller) tem um histórico de problemas psiquiátricos e aos 21 anos resolve entrar para a faculdade, o que inclui sair de casa, mesmo contra a vontade da mãe, católica fervorosa, que não acredita que ela seja capaz de se cuidar sozinha.
As coisas começam bem; ela emagrece, faz amizade, arruma um namorado e se dedica com afinco aos estudos, afim de recuperar o tempo perdido.
Logo as crises começam a voltar, na forma de visões, vozes vindas do nada, desmaios e a incapacidade de rezar ou tocar em objetos católicos, como o rosário que a mãe lhe dera.
Como já tinha ido a inúmeros médicos, e o máximo que conseguiu foram remédios capazes de controlar temporariamente suas crises, ela começa a acreditar que seus problemas são espirituais, e associa seu martírio aos de Santa Catarina.
O novo padre da paróquia local acredita em sua história, e se inicia um longo processo de exorcismo que leva a morte de Michaela.
Baseado na história de Anneliese Michel, que também inspirou "O Exorcismo de Emily Rose", nem de longe lembra o mais famoso filme de exorcista da história do cinema. A "possuída" daqui não baba ou se contorce horrivelmente. Não se ouve ou vê o que ela vê, o que causa certa angústia em saber se ela realmente está com o cão ou apenas tem problemas psicológicos.
O filme centra foco no drama de Michaela, moça histérica reprimida pelo fervor religioso da família e amparada por um padre que acreditava no que a moça relatava, o que a leva a um triste fim.
É um tanto lento, e demora um bom tempo apresentando seus personagens. É bem cotado no IMDB, se é que isso vale de alguma coisa.
Boa atuação de Sandra Hüller.

domingo, 7 de março de 2010

CANIBAL

(GRIMM LOVE)
Alemanha - 2006
Dir.: Martin Weisz


Produção alemã falada em inglês, também conhecida como Rohtenburg e Butterfly: A Grimm Love Story, se baseia na vida de Armin Meiwes que cortou e devorou o pênis de Bernd Jürgen com o consentimento desse, que também saboreou a iguaria (era seu fetiche ser devorado vivo) antes de morrer.
Estudante de psicologia, Katie Armstrong (Keri Russell, a eterna "Felicity") se interessa por um caso aonde um homem busca na internet um homem a quem pudesse, literalmente, comer e acaba encontrando. Os nomes foram alterados para Oliver Hartwin (o açougueiro) e Simon Grombek (o jantar e convidado de honra).
Katie investiga o passado de ambos, um abandonado pelo pai aos cuidados da mãe dominadora; o outro se sentindo culpado pelo suícidio da mãe desequilibrada e desejando se devorado como forma de espiar seus supostos pecados.
É um filme incomum, meio documental, aonde o terror está presente no absurdo da situação, pois não há um psicopata a solta nem fantasmas atormentando mortais. Os fãs do terror não devem se interessar muito, pois nem a cena da castração é mostrada em on.
O filme chegou a ser proibido na Alemanha; não é nenhuma obra revolucionária mas é um bom passatempo. Foi esse aqui que garantiu a Weisz a direção da continuação de "A Viagem Maldita" nos EUA.