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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

MARTIN

(MARTIN)
EUA - 1977
Dir.: George A. Romero


Martin aparenta ser um adolescente tímido, mas na verdade é um vampiro de 84 anos completamente deslocado no mundo em que vive e com uma particularidade: suas vítimas, sempre mulheres, são dopadas antes que ele abuse delas sexualmente e as sugue o sangue, não com caninos afiados, mas através de um corte com uma gilete, sempre acompanhado de um pedido de desculpas. Depois seus corpos são abandonados de forma a parecer suícidio.
Ele é enviado para a casa de um primo mais velho, que só o aceita por medo de a família ser amaldiçoada e jura matá-lo caso ataque as mulheres da cidade.
Martin segue sua vida tediosa trabalhando como entregador na loja do tio, até se apaixonar por uma mulher casada, a única com quem consegue ter sexo sem a necessidade de dopá-la. Só que o primo está de olho nele...
O mergulho de Romero no universo vampiresco rendeu um filme estranho, meio desolado, aonde cruzes, alho, luz do sol, dentes afiados e outras lendas envolvendo vampiros são deixados de lado. O protagonista, por exemplo, nem de longe lembra o sedutor, decidido e violento Drácula de Christopher Lee. É um garoto tímido, sem graça, calado e que se acredita doente.
Deveria ser melhor lembrado, pois é bem original em seu enfoque do universo dos vampiros.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O EXÉRCITO DO EXTERMÍNIO

(THE CRAZIES)
EUA - 1973
Dir.: George A. Romero


Avião contendo uma arma biológica cai nos arredores de uma pequena cidade e causa um surto de loucura entre seus moradores ao contaminar a água: alguns se tornam violentos; outros, completamente apáticos. Cercados pelo militares e sem saber ao certo o que está acontecendo, resta a alguns deles resistirem ao cerco e tentar escapar, o que é o que acontece com um grupo formado por um bombeiro voluntário e sua namorada enfermeira; um amigo de ambos e um pai com sua filha já contaminada. Em uma cena curiosa, que mostra a insanidade que toma conta de todos, enquanto um grupo combate o exército, uma mulher varre o chão no meio da troca de tiros.
Produção de George Romero, fora (mas nem tanto, o comportamente de alguns lembra os dos mortos vivos) do universo de seus filmes de zumbi, tem história muito semelhante ao do recente, e ótimo, "O Sinal", embora neste o foco seja na doença, e no de Romero na tentativa de controlá-la. A impressão, embora mais de 3 décadas separem os filmes, é que ambos se completam.
É curioso, não tem muitas cenas de gore e tem o viés político que Romero gosta de imprimir a seus filmes, aqui com crítica ao comportamento do exército e seu pouco caso com a população e seus soldados, pois se cogita o lançamento de uma bomba atômica, sem a retirada dos soldados, devido ao risco de contágio. Aliás, o exército é até mostrado como algo aonde falta inteligência, pois leva para o centro do contágio o único cientista capaz de descobrir a cura, e o instala em um hospital sem a menor condições de pesquisa; em outra cena um militar reclama ser um oficial de comunicações, e nada saber sobre como lidar com a situação vigente.
George Romero sempre vale a vista, até para comparar com o remake previsto para este ano.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

DIÁRIO DOS MORTOS


(DIARY OF THE DEAD)
EUA - 2007
Dir.: George Romero


Mais um filme de G. Romero sobre zumbis.
Esse segue o esquema iniciado com a Bruxa de Blair, e seguido por REC e Cloverfield (sendo que o resultado desses 2 é infinitamente melhor) da câmera em primeira pessoa.
Pra começar, Romero se utiliza de uma câmera profissional, visto o "cinegrafista" estar produzindo um filme de terror quando a epidemia de mortos-vivos tem início. Daí a coisa segue para uma ótima edição feita pela namorada do cinegrafista, pronta para as telas de cinema, que se vale ainda de uma segunda câmera e de imagens de câmeras de vigilância dos locais por onde passam os sobreviventes, que tentam chegar em suas casas. Ou seja, se a idéia era mostrar um terror em primeira pessoa, essa foi praticamente pelo ralo.
O filme gerado a partir daí parece um road movie do terror, e começa junto com a epidemia. Ou seja, se não fosse pelo lapso de tempo, começa no momento em que a primeira vítima foi atacada no cemitério (lembram?), no clássico "A Noite Dos Mortos Vivos". Mas aparentemente aqui Romero ignora sua tetralogia, que seguia em ordem sequencial de dominação do mundos pelos zumbis.
Se sempre se viu uma alguma crítica social/política nos filmes de Romero, aqui o foco parece ser a necessidade de se dar ao público o mundo cão que ele quer ver; para o cinegrafista do filme dentro do filme, filmar é muito mais importante do que sobreviver, e ele precisa a todo custo terminar seu filme. Mesmo que seus amigos sejam atacados, para ele o mais importante é filmar. E essa filmagem não poupa os espectadores de nenhum tipo de morte envolvendo cabeças: derretidas com ácido, partidas ao meio, e muitas, muitas estouradas, tudo on-screen. Um show de efeitos de gore, com destaque para a cena final, aonde se conclui que os vivos são piores que os mortos. Como disse uma personagem sobre o filme dentro do filme: é um filme sobre a crueldade.
Mas o importante é filmar, e aparentemente já há uma sequência a caminho.
Prefira os filmes da tetralogia.